HOMENAGEM À CINEMATOGRAFIA DA REPÚBLICA ESLOVACA

Viera Duricová, directora-adjunta do Instituto de Cinema Eslovaco, fala sobre os pormenores da homenagem ao cinema eslovaco, revelando que, apesar de a República Checa e a Eslováquia serem países distintos desde 1993, o espírito da Checoslováquia, designação que uniu os dois territórios durante décadas, permanece vivo na arte.

Qual é a importância do tributo ao cinema eslovaco que será levado a cabo pelo Festroia em 2010? Este tributo é uma oportunidade de o público cinéfilo português conhecer melhor as produções da Eslováquia, pois sabemos que a nossa cinematografia não está ainda muito divulgada em Portugal. Esperamos que, pelo menos durante o festival, haja curiosidade das pessoas pelos nossos filmes.

Já tem alguma ideia da programação? Na conversa que tive com a Fernanda concordámos que o ideal era ter um misto de filmes clássicos e de filmes novos, para que o público ficasse com uma ideia geral do cinema eslovaco.
A Fernanda pediu-me também que trouxesse filmes de animação, pois há uma grande tradição deste género na Eslováquia. Aliás, temos um grande realizador que só à sua conta criou mais de 400 filmes, incluindo uma longa-metragem chamada The bloody lady, uma versão em desenhos animados da história da Condessa Bathory. Seria interessante trazê-lo, para que o público o pudesse comparar com a longa-metragem de Juraj Jakubisko que vai ser exibida no Festroia. Vamos enviar à Fernanda vários filmes em DVD para que ela possa avançar com uma proposta de programa. Como tal, a mostra deverá estar bastante mais definida até ao final do ano ou na Primavera de 2010.

E em termos de presenças? A Fernanda pediu-me para trazer realizadores conhecidos e jovens actores, que espero tenham disponibilidade para vir. No entanto, sei que não será fácil conciliar agendas, pois Junho é uma altura em que há muito trabalho na área do cinema e do teatro.

Este ano, a Secção Oficial conta com um filme eslovaco, Promessa quebrada, de Jirí Chlumský, um realizador que vive em Praga. Esta colaboração entre eslovacos e checos é comum? Praticamente todos os filmes checos que aqui estão têm actores eslovacos: Divididos fraquejamos, Václav, etc. E é frequente fazermos filmes em co-produção. No fundo, a Checoslováquia continua a existir na arte. Por exemplo, o Juraj Jakubisko é eslovaco, mas vive em Praga há muito tempo, depois de anos a viver e a trabalhar em Bratislava. A dissolução da Checoslováquia foi pacífica e por isso continua a haver muito boas relações entre os dois países.

Texto: Luís Humberto Teixeira
Foto: Fernando Farinha